AULA VI
Funções do Diácono na Comunidade Homilética
Como mencionado, o Diácono também exerce funções no meio da comunidade cristã, auxiliando os bispos e sacerdotes no ministério sacerdotal, e um desses primeiros serviços é a explicação da Palavra de Deus a comunidade, através das Homilias e Pregações.
Dada a sua natureza litúrgica, a homilia possui também um significado sacramental: Cristo está presente, seja na assembleia reunida para escutar a sua palavra, seja na pregação do ministro, através do qual o Senhor mesmo, que falou uma vez na sinagoga de Nazaré, agora ensina o seu povo.
Assim se exprime a Verbum Domini:
“Assim é possível compreender a sacramentalidade da Palavra através da analogia com a presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho consagrados. Aproximando-se do altar e participando do banquete eucarístico comungamos realmente o Corpo e o Sangue de Cristo. A proclamação da Palavra de Deus na celebração comporta reconhecer que é Cristo que se faz presente e Se dirige a nós para ser acolhido” (VD, n. 56).
O Papa Francisco observa que a homilia “é um gênero peculiar, já que se trata de uma pregação no quadro de uma celebração litúrgica; por conseguinte, deve ser breve e evitar que se pare ça uma conferência ou uma aula” (EG, n. 138).
A natureza litúrgica da homilia ilumina, portanto, a sua peculiar função. Ao levar em consideração tal função, pode então ser útil explicar o que a homilia não é. A homilia não é um sermão sobre um tema abstrato; em outros termos, a Missa não é uma ocasião, para o pregador, afrontar argumentos completamente desligados da celebração litúrgica e das suas leituras, ou para fazer violência aos textos previstos pela Igreja, contorcendo-os para adaptá-los a uma ideia preconcebida.
A homilia não é nem mesmo um puro exercício de exegese bíblica.
O que é então a homilia?
Dois breves extratos das Introduções dos livros litúrgicos da Igreja começam a fornecer uma resposta. Antes de tudo, na Instrução geral do Missal Romano lemos:
A homilia é parte da liturgia e vivamente recomendada, sendo indispensável para nutrir a vida cristã. Convém que seja uma explicação de algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura ou de outro texto do Ordinário ou do Próprio da missa do dia, levando em conta tanto o mistério celebrado, como as necessidades particulares dos ouvintes (n. 65). Assim, pois, a homilia, quer explique as palavras da Sagrada Escritura que se acaba de ler, quer explique outro texto litúrgico, deve levar a assembleia dos fiéis a uma ativa participação na Eucaristia, a fim de que “vivam sempre de acordo com a fé que professaram”. Com esta explicação viva, a Palavra de Deus que se leu e as celebrações que a Igreja realiza podem adquirir maior eficácia, com a condição de que a homilia seja realmente fruto da meditação, devidamente preparada, não muito longa e nem muito curta, e de que se levem em consideração todos os presentes, inclusive as crianças e o povo, de modo geral as pessoas simples.
Nesta aula veremos, como formular uma homilia, como aplicar a homilia e como não cometer muitos erros em uma homilia.
Por que usar da homilética no ambiente virtual?
Em primeiro lugar, é conveniente ressaltar que este uso, serve para instruir os outros irmãos, através da luz da doutrina do evangelho, que também leva ao sentido da “eloquência” (desenvoltura) de cada interpretação das leituras. Ela pode e deve ser utilizada nas Missas (principalmente as missas dominicais, cujo são obrigatórias), em pregações como Retiros, Palestras e diversos encontros, onde seja oportuno a meditação da palavra de Deus, e que seja necessário a explicação dela. Também é recomendado que não se faça uma homilia de última hora, ou seja, que se faça um momento de oração particular e meditação da palavra, para aí sim formar a homilia.
Quem pode fazer uso da homilética no apostolado?
Em primeiro lugar, aqueles que tem (em tese) o ministério do leitorado, ou que sejam da ordem sacerdotal (a partir do diaconato), para que seja lícita a explicação, através da luz da doutrina da igreja.
No caso de uma pregação de retiro ou de palestra, pode-se ainda utilizar alguns relatos pessoais, desde que conduzam a pregação ao objetivo de explicar o tema principal da narrativa.
Como deve ser o Pregador?
Personalidade: Falharíamos na apresentação deste assunto se omitíssemos algumas informações acerca das características que são fundamentais na formação do caráter ou personalidade do pregador.
Na apresentação destas características, procuraremos apresentá-las como “Perfis da Personalidade”
Perfil espiritual:
O pregador deve ser um homem de boa fé e boa conduta, além de bom conhecedor das coisas de Deus e da Igreja.
Perfil moral:
Sabemos que a fé genuína é acompanhada de uma mudança de vida. Logo, o pregador deve ser um homem exemplo de nova vida (2 Co 5,17).
[Teologia Moral de Santo Afonso Maria de Ligório]
Perfil intelectual:
O pregador abraça uma carreira intelectual. Isto porque, todo o seu trabalho envolverá muito mais o uso do cérebro do que as mãos e braços.
Exigências necessárias ao pregador: Seja inteligente; seja amante dos livros, especialmente os espirituais; seja criativo; seja culto. Cit.: 2Tm 2,15.
Perfil psicológico:
O equilíbrio mental e emocional é algo indispensável à vida do pregador. As palavras revelam o equilíbrio psicológico do homem. As palavras acompanhadas das emoções podem revelar os temperamentos e até as motivações conscientes ou inconscientes. O altar não é uma terapia onde o pregador derrama a sua personalidade para os ouvintes. O altar também não é lugar de desabafo, nem de autoexaltação. A mensagem de quem prega Com a Palavra de Deus nos é dado o conteúdo da pregação. No Novo Testamento a pregação era essencialmente a simples proclamação dos fatos do Evangelho que assumia o seguinte padrão:
a) A identidade messiânica de Cristo;
b) A vida impecável de Jesus Cristo;
c) Sua morte expiatória e sua ressurreição;
d) A soberania de Jesus Cristo;
Ao Pregador é dada uma difícil tarefa: At 20 26,27 vemos aqui um sentimento do dever cumprido. O pregador não pode ser parcial, deve falar todo o designo de Deus, tudo o que a Palavra diz a respeito de determinado assunto.
Não é algo fácil, pois a verdade agrada, mas também desagrada e dói em muitos, ela sara, mas também fere, ela edifica, mas também destrói. Outra realidade tocante é que muitos pregadores fazem discípulos de si mesmo, mas não fazem discípulos de Jesus, temos que ter cuidado para não cairmos no erro de falarmos mais de nós do que do Senhor Jesus para que as pessoas não nos sigam ao invés de Jesus.
Requisitos para uma boa homilia
Meditação da palavra:
O primeiro e mais importante de todos os pontos, é que sem uma devida meditação prévia da liturgia, seja ela a liturgia diaria, ou de alguma passagem em específico, sempre se aconselha ler o texto, e meditar sobre a “mensagem central” (o tema) do que será abordado.
Fixação dos principais pontos da leitura:
O segundo requisito é a fixação (deixar fixo) dos principais pontos das leituras ou da passagem a ser meditada, pontos esses que podem servir de apoio e até mesmo serem citados durante a homilia.
Estrutura de uma Homilia:
O objetivo: Em geral, o objetivo sempre se baseia no que você quer levar com a homilia, a que ponto de formação você pretende chegar. Por isso se utiliza um objetivo em específico, para que tudo citado seja “encaminhado” a esse objetivo.
A introdução: A introdução é a abertura de toda reflexão, e ela pode começar de várias formas, seja apontando o que será abordado (o tema), seja apresentando um ponto/passagem da liturgia, e etc.
O Tema:
O tema é aquilo que é o centro de toda pregação, ou seja, aquilo que estará em comum em todas as leituras, (primeira, segunda, salmo e evangelho) seria o chamado ponto em comum, de todas as leituras, é aquilo que vai juntar tudo. Geralmente essa parte é descoberta na meditação, quando se averígua as leituras.
O Desenvolvimento:
O Desenvolvimento, é todo o enredo explicativo, ou seja, toda a explicação extraída da liturgia, lembrando-se sempre do objetivo e do tema, logo, os dois servem de apoio para amparar a explicação. Com isso podem ser usados vários meios de exemplificação, seja um “causo”, uma outra passagem da sagrada escritura e etc.
A Finalização:
Por fim, se encerra com as “considerações finais”, um breve resumo de tudo, e mostrando por fim, qual é a lição de vida que aquela passagem/liturgia do dia quer nos ensinar. Pode se encerrar com uma oração, ou com uma reflexão mais aprofundada.
Uso de informalidades das homilias:
A este cunho de uso de palavras, gestos, ações ou divulgação de ideias informais, que não estejam dentro do contexto bíblico teológico, é altamente proibido.
Ex: Usar de uma homilia para promoção política/ ideológica ou qualquer outro conteúdo que esteja fora da doutrina da igreja.
São permitidos apenas o uso de “causos” (histórias curtas), de trechos da vida dos santos/livros devocionais, ou de qualquer outro instrumento permitido pela doutrina da igreja.
Ex: homilias do Servo de Deus Pe. Léo